Setor agropecuário e emissão brasileira de CO2

Fonte Scot Consultoria

Introdução

Tratados de âmbito mundial têm sido celebrados para discutir formas e metas para redução de gases de efeito estufa (GEEs). Os GEEs englobam o dióxido de carbono, metano, óxido nitroso, ozônio e halocarbonos. O dióxido de carbono é considerado o mais impactante nas mudanças climáticas globais.

Dentro das categorias classificadas como poluentes, a produção animal contribui com aproximadamente 18% (cerca de 7,1 bilhões de toneladas CO2(e)) das emissões mundiais de GEEs, segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

Porém, se considerarmos as diferentes espécies da produção animal no mundo, os bovinos são responsáveis por mais da metade da emissão de CO2(e) para o meio ambiente.

Figura 1.
Emissão mundial de CO2(e), em milhões de toneladas métricas, de acordo com espécie animal (2017).

Mas como fica o Brasil nesse cenário? A pecuária tem sido a responsável pelo efeito estufa no país?

Em 2019, o Brasil representou 3,4% das emissões mundiais de carbono equivalente ocupando a sétima colocação entre os emissores mundiais, ficando atrás apenas da China, Estados Unidos, União Europeia, Índia, Indonésia e Rússia.

Considerando somente as atividades ligadas à agropecuária, a maior parte da produção de gás está relacionada à fermentação entérica e dejetos de animais, manejo de solos, mas, principalmente, a queimadas e desmatamentos.
Entre 2003 e 2004, a área de desmatamento no Brasil foi de aproximadamente 27.400 km2. Nos anos seguintes, até 2009, houve uma queda dessas ações, demonstrando o quanto esses fatores são impactantes para o efeito estufa. Grande parte dessa redução se deve às ações para prevenir e controlar o desmatamento da Amazônia (PPCDAm) aplicado em 2004.

Por outro lado, as emissões de CO2(e) no Brasil ligadas à agropecuária praticamente se mantiveram estáveis, ocorrendo um aumento de apenas 0,4% em 10 anos (entre 1999 e 2019). De acordo com o IBGE, nesse período o PIB brasileiro do setor agropecuário cresceu em torno de 6 vezes, um aumento de R$50,5 bilhões em 1999, para R$322 bilhões em 2019. Portanto, o maior problema em relação à emissão de CO2(e) não está relacionado ao crescimento do setor agropecuário, mas sim a atividades como o desmatamento, queimadas e manejo inadequado do solo.

Figura 2. Emissões de CO2(e) (GWP-AR5), em milhões de toneladas, no Brasil considerando o período de 1999 a 2019.

O Brasil, que participa do Acordo de Paris juntamente com outros 194 países, comprometeu-se a reduzir 37% dos GEEs emitidos em relação a 2005, e 43% de redução até 2030. De acordo com a SEEG, o Brasil não apresenta as ferramentas necessárias para atingir tal meta.

Consideração final

Apesar da produção de CO2 equivalente praticamente estável no Brasil durante os últimos cinco anos, o país deve reduzir ainda mais as emissões de GEEs para atingir as metas estabelecidas em acordos internacionais.
Os meios eficazes da diminuição das emissões de GEEs estão ligados a programas de prevenção e ao manejo adequado dos solos para a pecuária, lavoura e outras atividades agropecuárias.

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