Quantos kg a mais o bezerro deve pesar para valer a pena investir em touro provado?

Fonte Giro do Boi

A genética é a maior razão custo x benefício de toda a pecuária. Quem afirmou foi o zootecnista e mestre em produção animal Antonio Chaker, diretor do Inttegra, em entrevista ao Giro do Boi nesta terça, dia 20. Em sua participação no programa, o consultor resumiu as contas que o criador deve fazer para descobrir se vale a pena investir no uso de touros provados.

Chaker revelou dois modos muito simples de o criador descobrir se está precisando investir em genética. “Você consegue desmamar bezerro com 240 kg sem creep (feeding)? Não? Então você precisa de touro! Você consegue entourar as suas novilhas com 14 meses e ter 80% de prenhez? Não? Então você precisa de genética! Você já abate o animal com 20 meses e 20 arrobas a pasto? Não? Então você precisa de genética! Então a genética é a maior razão benefício x custo de toda a pecuária”, sustentou.

O outro modo, “bem sertanejo, do jeito que a gente gosta”, conforme classificou Chaker, é a mera observação do plantel de matrizes. “Olhe para os animais da fazenda. O produtor olha para as vacas e para as bezerras. Quem é melhor? Se ele falar que a mãe é boa e a filha é boa, não está acontecendo melhoramento genético. As novilhas têm que ser muito melhor que as primíparas e as primíparas precisam ser muito melhores que as vacas. E o que é ser melhor? É ser mais precoce, mais profunda, mais ganhadora de peso”, resumiu.

A partir da constatação da necessidade de investir em genética por meio do uso de touros provados, Chaker resumiu alguns dos cálculos que comprova o retorno desse investimento – e motivo da excelente relação de custo e benefício.

QUANTO CUSTA EM MÉDIA UM TOURO MELHORADOR?

“Um reprodutor vai custar até R$ 14.000,00. Vale a pena? […] Vamos supor que entre o valor que eu pago num reprodutor provado e o valor que eu vendo um touruno, um touro descarte, normalmente você tem R$ 7.000,00 de diferença. Vamos imaginar que eu compre ele por mais ou menos R$13.000,00 ou R$ 14.000,00, vendo por R$ 6.000,00 ou R$ 7.000,00 um touruno de quase 30@, então eu tenho R$ 7.000,00 que eu preciso pagar dessa conta. […] Como eu pago essa conta do touro e por que é tão economicamente viável essa conta do reprodutor? Se a gente jogar por baixo um reprodutor desse vai deixar pelo menos 20 produtos por ano, vezes cinco (anos de idade produtiva), são 100 bezerros de produção. Se eu tenho R$ 7.000,00 para depreciar desse touro e 100 bezerros, eu tenho R$ 70,00 por bezerro para depreciar. Se a gente dividir R$ 70,00 por R$ 15,00, que é o quilo do bezerro, quanto quilos eu preciso a mais para pagar esses R$ 70,00? Eu preciso de cinco quilos. Com cinco quilos (a mais na desmama), paga e sobra essa conta. Mas chega a até 30 quilos a mais na desmama”, calculou o consultor.

“Isso se eu parar só no bezerro. Mas esse bezerro vai virar um boi. E esse boi vai sair seis meses antes da fazenda. […] Outra continha: se esse animal que custa R$ 100,00 por mês na fazenda fica seis meses a menos, são R$ 600,00 de redução de custo. Eu gastei só R$ 70,00 a mais. Então quando você começa a compor essas contas, não faz sentido algum economizar na genética porque ela tem a potência de expressão”, destacou.

De acordo com Chaker, o levantamento de benchmarking que o Inttegra realiza anualmente junto às fazendas parceiras valida a importância do investimento em genética. “Nas fazendas top rentáveis os touros são provados? Sim! Existe alguma top rentável com boi de boiada? Não! Existe fazenda com prejuízo ou com resultado da média para baixo com boi de boiada? A maioria! Então é uma questão de evidência”, constatou.

Mas o Brasil produz a quantidade necessária de touros para que todas as suas vacas em idade reprodutiva fossem enxertadas com animais provados? Ainda não, mas Chaker acredita que não seja um problema de potencial de produção.

O consultor estima que no Brasil existam cerca de 60 milhões de matrizes em idade reprodutiva, número em que baseou seu cálculo e seu raciocínio. “A matemática é relativamente simples. O que acontece? Dessas 60 milhões de matrizes que existem no Brasil, estima-se que menos de dez milhões fiquem prenhas com inseminação entre primeira e segunda dose. São 20 milhões de doses vendidas, onde mais ou menos dez milhões recebem a primeira dose e cinco milhões recebem duas doses. O que acontece é que sobram por volta de 53 milhões de vacas que precisam de touro. Então essas 53 milhões de vacas que precisam de touros têm uma necessidade de 1,8 milhão de touros no Brasil. Se a gente precisa de 1,8 milhão de touros e […] se a gente considerar seis anos (de idade produtiva de um touro) – para dar um ano de lambuja – nós estamos falando em uma necessidade anual de troca desses animais, já que você vai descartar, na casa de 300 mil animais por ano. […] Porém, quando você soma todas as associações e entidades produtoras, o que essa turma produz é perto de 160 mil. E a gente precisa de 300 mil. […] Mas ainda dentro desses 160 mil, uma coisa é ser um reprodutor. Se você tem um macho inteiro, ele é capaz de reproduzir, que é o famoso boi de boiada. Porém nós temos cerca de 25 mil touros que passaram por uma análise genética criteriosa. Então, no final das contas, faz com que animais geneticamente provados realmente acabem compondo um número muito pequeno. E sabe o que mais me preocupa quando a gente pensa nisso? Que o investimento de maior potência econômica é o de qualidade genética. A maior potência de retorno econômico”, reforçou.

“Nós temos que arrumar 150 mil touros (por ano) a mais no Brasil. […] Por que será que tem esse espaço? Não faltam selecionadores no Brasil capazes de produzir esses touros. O processo é inverso. Falta o cliente, o próprio pecuarista demandar. Porque quem define naturalmente essa fábrica de produção é essa demanda. Então se os nossos produtores de touro dobrarem a produção – e essa é a minha visão – […] talvez ainda o mercado não esteja totalmente maduro porque, de repente, o camarada do boi de boiada não percebeu que está ganhando 1% do que vale a fazenda, que está ganhando R$ 300,00 por hectare, que a novilha é igual à mãe, não mudou nada, não mudou nada, e ele está vivendo numa bolha, cego, onde ele está se conformando com o ruim”, analisou.

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