Planejando a ILPF de acordo com os interesses do pecuarista

Sem um bom plano de ações e cronograma, o que era para elevar a produção pode trazer prejuízos e alterar a rentabilidade do negócio. Contudo, o modelo é o futuro da pecuária

Fonte Portal DBO

É muito comum o produtor querer implantar o sistema, mas desconhecer o caminho ou ter dificuldades e construir objetivos.

Um técnico de confiança é necessário não só para planejar como para clarear ideias e referenciar objetivos. Uma dúvida comum é quanto às dificuldades decorrentes da região (ambiente) onde a propriedade está situada.

Definindo as ações no solo – É importante em uma primeira conversa com o produtor, que ele externe seus interesses.

Ele pode, por exemplo, simplesmente, querer recuperar suas pastagens e mantê-las produtivas, instalando árvores para oferecer maior conforto ao rebanho.

Paralelamente, ele aproveita e sinaliza com qual perfil de animal (dos vários leiteiros ou de corte) e volume de rebanho que quer trabalhar e em qual sistema de produção.

Assim, é possível definir áreas, tipos de cultura e de forragens, considerando condições climáticas da fazenda, para então preparar o solo. Pode haver a necessidade de implantação de uma capineira, caso o verão seja muito forte.

Com essa base estabelecida, o pecuarista pode encaminhar análises de solo (perfis físicos, químicos e biológicos) dos vários tipos da fazenda e definir as respectivas correções e adubações, além de eventuais manejos como descompactação e formação de curvas de nível. Nesse momento, as áreas de implantação já estão definidas conforme a necessidade.

Tendências – Em função das exigências de uma lavoura de soja, Martinez toma por base a cultura do milho que, inclusive, pode servir na dieta do rebanho e é menos exigente.

De qualquer forma, na agricultura o maquinário aumenta em muita a eficiência. Ele pode ser adquirido, diante da disponibilidade de recursos do produtor, frente à frequência de safras.

Contudo, pode valer a pena fazer parcerias com agricultores da região e dispor da infraestrutura que vem com eles. Na maioria dos casos, o pecuarista pode recorrer dessa forma. Mas o gosto pelos resultados e o próprio aprendizado pode conduzi-lo à agricultura profissional. Entre outros itens, descobrir o quanto um solo fértil pode devolver em produtividade na criação é formidável.

Para o planejamento de implantação em diferentes regiões ou ambientes climáticos, faz-se necessário pequenos ajustes técnicos, mas, no País, há conhecimento científico acessível para colocar a ILPF no Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Não existe mais qualquer mistério para se proceder tais adequações, entre os profissionais bem-qualificados.

Arborização – Se o produtor quer sombra para o bem-estar animal, a variedade de árvore e sua disposição (linhas ou blocos) na área determinam um caminho.

Já se ele almeja o aproveitamento da madeira, por exemplo, como mourões de cercamento, então ele abre mão de um pouco de sombra e coloca eucalipto. É o mais comum. Mais de 95% dos sistemas estabelecidos trabalham com a variedade.

O espaçamento é um grande ponto, pois quando as árvores são jovens, o sombreamento é insuficiente nos piquetes de pastagem. Mas no decorrer do tempo – de sete a 10 anos – as árvores já estão com uma altura bastante grande, época em que o conforto térmico que proporcionam começa a fazer a diferença na produtividade dos bovinos.

Normalmente, indica-se o posicionamento das linhas de Leste para Oeste, permitindo que o sol faça seu trabalho na cultura do capim. Também o espaçamento entre as árvores, caso muito apertado, pode interferir na luminosidade necessária para as demais plantas do sistema, internas aos corredores. Por outro lado, não se deve esquecer da umidade decorrente do sombreamento, ótima para o solo.

A alternância e expansão – Outro item importante que a pesquisadora salienta é o tempo de permanência da lavoura na ILPF.

Conforme as árvores vão sombreando em demasia a área, a produtividade da cultura de milho, por exemplo, cai. Dependendo da queda, ela pode se inviabilizar, economicamente. Logo, a presença da lavoura tem sua importância em caráter temporário.

É recomendado a saída após dois anos, para a entrada de pasto. É o tempo das árvores adquirirem certa estatura, caso do eucalipto, e sua existência não mais ser ameaçada pela presença bovina. Mas se a espécie de árvore tiver desenvolvimento mais lento, então, a cultura agrícola pode ser explorada por mais tempo.

A ILPF tem três componentes: lavoura, pecuária e floresta. Obviamente, os dois primeiros não atuam simultaneamente na mesma área.

Logo, o 1º passo é a implantação da lavoura e floresta, ficando como 2º o da pecuária com floresta. No planejamento, o pecuarista poderá ainda estar implantando o sistema em outras áreas e ampliando a estratégia de alta produção, na propriedade.

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