Pecuarista arma a trincheira e resiste em entregar boi gordo

Fonte portaldbo

Para preservar as suas margens diante dos altos custos do gado magro, os pecuaristas brasileiros continuam resistindo em vender os seus lotes de animais terminados a preços menores que as máximas vigentes, relatam os analistas.

Os frigoríficos, preocupados com o fraco escoamento da carne bovina no mercado interno, também mantêm a posição de cautela nas compras de boiadas, adquirindo somente o necessário.

Diante deste cenário, o mercado do boi gordo registra baixíssima liquidez e os preços da arroba seguem apresentando bastante volatilidade, mas com viés de queda nas principais praças pecuárias do País.

O consumo doméstico de carne bovina tem sido afetado diretamente pela paralisação de restaurantes e outros serviços de alimentação fora de casa, devido ao período de isolamento social ocasionado pela COVID-19, relata a consultoria Informa Economics FNP.

No mercado atacado, segundo a FNP, o valor da proteína bovina ainda segue firme, diferentemente do movimento registrados pelos preços das carnes concorrentes, como a de frango e suína, que vêm registrando repetidas quedas. No entanto, com a aproximação da segunda quinzena do mês, período tradicionalmente de um menor poder aquisitivo da população, o consumo interno de carne bovina deve diminuir ainda mais, o que, no curtíssimo prazo, “pode provocar ajustes negativos nos preços dos principais cortes bovinos”, prevê a FNP.

Giro pelas regiões

Em São Paulo, o boi gordo registrou ajuste negativo nesta segunda-feira, refletindo os poucos negócios efetivados. “Diante da tentativa persistente das indústrias em abaixar os preços, alguns produtores começam a liquidar o gado terminado”, informa a FNP. Na região Noroeste de São Paulo, a arroba caiu para R$ 199, a prazo, segundo dados da consultoria.

No Mato Grosso do Sul, após instaurar uma forte pressão baixista desde a semana passada, os frigoríficos conseguiram comprar pequenos lotes de boiada a preços mais baixos. “Os pecuaristas, no entanto, resistem a ajustes mais acentuados, pois ainda encontram suporte para retenção do gado nas pastagens”, relata a FNP.

No Mato Grosso, com a dificuldade de se obter matéria prima, muitos frigoríficos operam com capacidade reduzida e escalas de abate curtas. No entanto, informa a consultoria, a atuação de plantas habilitadas para exportação permitiu leves ajustes positivos nos preços da boiada gorda.

No Tocantins, as indústrias ainda analisam os resultados da venda de carne no final de semana para se posicionar de forma mais consistente nas compras. Alguns negócios, porém, foram efetivados a valores mais baixos.

No Pará, a arroba da boiada gorda também se desvalorizou nesta segunda-feira. Na região, a redução no volume de chuvas já preocupa os produtores, que se mostram mais ativos na venda de gado. Já na Bahia, a arroba da boiada gorda subiu neste primeiro dia da semana. “O volume de chuvas que tem atingido a região favorece a retenção dos animais nas pastagens, permitindo que os pecuaristas especulem preços mais altos para venda do gado terminado”, observa a FNP.

Confira as cotações desta segunda-feira, 13/4, de acordo com a FNP:

SP-Noroeste: R$ 199/@ a (prazo)
MS-Dourados: R$ 180/@ (à vista)
MS-C. Grande: R$ 182/@ (prazo)
MS-Três Lagoas: R$ 183/@ (prazo)
MT-Cáceres: R$ 180/@ (prazo)
MT-Tangará: R$ 180/@ (prazo)
MT-B. Garças: R$ 180/@ (prazo)
MT-Cuiabá: R$ 174/@ (à vista)
MT-Colíder: R$ 169/@ (à vista)
GO-Goiânia: R$ 185/@ (prazo)
GO-Sul: R$ 181/@ (prazo)
PR-Maringá: R$ 182/@ (à vista)
MG-Triângulo: R$ 187/@ (prazo)
MG-B.H.: R$ 182/@ (prazo)
BA-F. Santana: R$ 180/@ (à vista)
RS-P.Alegre: R$ 189/@ (à vista)
RS-Fronteira: R$ 185/@ (à vista)
PA-Marabá: R$ 185/@ (prazo)
PA-Redenção: R$ 180/@ (à vista)
PA-Paragominas: R$ 185/@ (prazo)
TO-Araguaína: R$ 177/@ (prazo)
TO-Gurupi: R$ 177/@ (à vista)
RO-Cacoal: R$ 167/@ (à vista)
RJ-Campos: R$ 185/@ (prazo)
MA-Açailândia: R$ 176/@ (à vista)

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