Países africanos passam a comprar mais carne bovina do Brasil

Tradicionais compradores estão aproveitando os preços baixos da carne brasileira no mercado internacional, diz Lincoln Bueno, da Mercúrio Alimentos

Fonte PortalDBO

A paralisação das vendas de carne bovina para a China completou 2 meses na última quinta-feira, 4 de novembro, e quem está aproveitando esse momento no mercado internacional de proteína vermelha são alguns países africanos.

A quantidade de carne brasileira exportada para a África saiu de 7,2 mil toneladas em janeiro de 2021 para 11,2 mil toneladas em outubro passado. O crescimento foi de 56%.

Em receita, as exportações de janeiro aos países africanos somaram US$ 18,9 milhões e em outubro foram US$ 36,1 milhões, segundo a apuração do Portal DBO sobre a base de dados do Comex Stat, um sistema para consultas de dados do comércio exterior brasileiro do Ministério da Economia.

Ao todo, dos 22 países africanos que o Brasil exportou carne em outubro, 18 aumentaram suas compras.

Uma das transações mais notáveis foi com a Libéria, que em janeiro comprou 5,8 toneladas e em outubro passado fechou com 310,9 toneladas. Angola também teve um salto considerável em suas compras, saindo de 224,6 toneladas para 801,9 toneladas.

Esses compradores estão aproveitando os preços baixos da carne brasileira no mercado internacional, segundo o empresário Lincoln Bueno, presidente do Conselho de Administração do grupo paraense Mercúrio Alimentos, com sede em Ananindeua, município da região metropolitana da capital do Pará, Belém.

“Não são mercados novos, mas são mercados que não estavam sendo atingidos porque não tínhamos preço para eles. Agora, com essa baixa que deu com a parada da China, estamos conseguindo fazer essas vendas”, diz Bueno.

Além de unidades frigoríficas em Xinguara e Castanhal, a Mercúrio Alimentos conta com quatro confinamentos: um no município de Santa Izabel, outro em Xinguara, e dois em Abaetetuba. No ano passado, o grupo abateu 25,8 mil bovinos e exportou 45 mil bovinos vivos. A expectativa de abate deste ano de 36 mil bovinos.

“Se a China continuar fora, a tendência é aumentar muito para os mercados que antes nós atendíamos então isso vai ser geral. E o boi vivo crescerá muito também”, avalia o empresário.

As Filipinas também deve aumentar sua participação nas compras de carne bovina brasileira, segundo a opinião do empresário paraense. O país asiático vizinho da China sempre foi um dos grandes compradores da carne brasileira e este ano reduziu drasticamente suas compras.

Em março de 2021, este país chegou a comprar 7,4 mil toneladas da proteína bovina brasileira; já em outubro, as exportações para lá foram de apenas de 433,4 toneladas. Apesar da queda, a tendência é que o país volte a importar a carne nacional.

Indefinição chinesa

Para Bueno, um dos grandes problemas do mercado é a indefinição da China, que está gerando crescentes prejuízos aos pecuaristas e frigoríficos.

Ele conta que tem recebido ultimamente inúmeras documentações vindas da Administração Geral de Alfândegas da China (GACC, na sigla em inglês).

“Cada semana eles pedem documentos. Quer dizer, é uma coisa meio sádica. Essa semana, amanheceu o dia, e vi que pediram novas informações sobre rastreabilidade, isso está sendo muito ruim para os frigoríficos e pecuaristas que se prepararam para atender aos chineses”, diz Bueno.

Mais oportunidades para o boi vivo

Bueno, que também é presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Gado (Abeg), afirma que esse nicho de mercado deverá crescer bastante no País.

A abertura do Vietnã para esse tipo de produto brasileiro representa uma oportunidade promissora.
O País recentemente fez uma venda de 15 mil bovinos gordos para o país asiático e a tendência é que mais embarques devam ocorrer.

“A mortandade não chegou a 0,4% ou 0,5%. Foi muito bem, o navio é muito bom, muito confortável. Foi uma boa venda. É de fato um mercado promissor para nós. Acredito que vão ter outras vendas para lá”, afirma Bueno.

Atualmente, os principais compradores do boi vivo brasileiro são Iraque, Líbano e Arábia Saudita.

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