Novilhas prenhas em até 15 meses? Com novo sistema é possível

Sistema criado a partir de um estudo da secretaria de Agricultura de São Paulo reduz em 40% o tempo para prenhes de novilhas

Fonte Canal Rural

A Secretaria de Agricultura de São Paulo desenvolveu um estudo científico para a criação de um sistema que permita a produção de novilhas precoces. Estes animais conseguem emprenhar com até 15 meses, quando o normal no Brasil é aos 24 meses.

As vantagens são a redução do tempo para prenhez das fêmeas e, consequentemente, maiores lucros aos produtores de gado do Brasil, mantendo todas as práticas preconizadas de bem-estar animal. A tecnologia desenvolvida pela Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) Regional de Colina.

Os pesquisadores tem como objetivo que as novilhas desmamadas aos 180kg atinjam 300kg com até 15 meses de idade, momento que estariam prontas para ficarem prenhas. “O ciclo de produção mais rápido reduz os custos de criação dos animais nas fazendas”, afirma Laura Prados, pesquisadora que atua na APTA da Colina.

Para alcançar a produção precoce, utiliza-se de suplementação na alimentação dos animais. Laura explica que foram testados três tipos de estratégias no estudo: o confinamento dos animais e dois níveis de suplementação diferentes.

“Pesquisas como essa são muito importantes para toda a cadeia produtiva do agro, pois trazem soluções para problemas enfrentados no campo pelos produtores. A tecnologia ajuda na melhor remuneração dos produtores e traz vantagens para as indústrias frigoríficas e os consumidores em geral”, diz Gustavo Junqueira, secretário de Agricultura de São Paulo.

Novilhas e o mercado gourmet

As fêmeas que não conseguirem atingir o peso necessário para empenhar também podem ser usadas para aumentar os lucros de produtores de outra maneira. A APTA desenvolve trabalho para engorda desses animais para um abate precoce. Estas fêmeas que não emprenharam são mantidas em um sistema de terminação intensivo a pasto, favorecendo a venda de carne no mercado gourmet.

“As fêmeas têm mais facilidade para deposição de gordura, uma característica importante para esse nicho de mercado, e possuem menos problemas de pH. Por ter essa facilidade, podemos engordar com suplementação as fêmeas que não emprenharam, abatendo esses animais jovens, com 19 meses”, explica Laura.

No mercado gourmet, alguns frigoríficos exigem que os tenham no mínimo 3 mm de gordura, até quatro dentes e peso acima de 13 arrobas. “As fêmeas precoces se encaixam nessas exigências. Com isso, os produtores conseguem agregar valor ao produto e os consumidores podem obter carne mais macia e de melhor qualidade”, afirma a pesquisadora.

APTA Colina

A APTA Regional de Colina é reconhecida em todo o Brasil como o berço do Boi 777. O sistema de produção de bovinos desenvolvido na unidade de pesquisa é adotado por produtores de gado de corte de todo o Brasil, por conta das suas vantagens econômicas.

O sistema preconiza a produção de um gado de 21 arrobas em até dois anos, quando normalmente leva-se até três anos para produzir um gado de 18 arrobas. A meta é que quando o animal alcance sete arrobas na desmama, sete na recria e outras sete na engorda, daí deriva o nome “Boi 777”.

Este método pode aumentar os lucros em 30% e tem revolucionado a pecuária nacional, sendo adotado nos estados: São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Goiás, Minas Gerais, Paraná e Rondônia.

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