Mercado interno será mais favorecido se China não voltar às compras, afirma consultor

Maior estoque de carne bovina e menor preço no varejo podem aquecer os negócios do mercado do boi nas próximas semanas, avalia o doutor em economia Alexandre Mendonça de Barros, sócio consultor da MB Agro

Fonte Portal DBO

O mercado de carne bovina continua pressionado com a ausência chinesa no balcão de compras da proteína vermelha brasileira.

No entanto, se o maior país asiático não voltar, quem deve fazer o setor se reaquecer mesmo é justamente o maior comprador e apreciador da carne nacional: o próprio brasileiro.

A relação de consumo ficou complicada com a pandemia, crise econômica e alta taxa de desemprego, o que levou a uma redução drástica no consumo de carne bovina no País.

Essa relação, no entanto, pode melhorar nas próximas semanas, segundo o engenheiro agrônomo e doutor em economia Alexandre Mendonça de Barros, sócio consultor da MB Agro, que falou sobre as expectativas do mercado de carne para 2021 e 2022 durante o terceiro encontro do “Tour DSM de Confinamento 2021”, promovido no início da noite dessa terça-feira, 19.

“Se arroba do boi gordo se direcionar a R$ 250, e considerando os preços atuais da carne no atacado brasileiro, isso refletirá em margens extremamente altas aos frigoríficos, o que estimulará essas unidades a voltar a abater bovinos, aumentando mais a oferta e derrubando mais o preço da carne”, explica Barros.

Para o consultor, o consumidor brasileiro passará a consumir mais a carne bovina, o que dará um pouco mais de equilíbrio ao mercado de carne, e, consequentemente, garantindo preços mais firmes ao pecuarista brasileiro.

Expectativas de exportação

Com base nos dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), divulgados no início deste mês, e apesar da paralisação com as vendas para a China, Barros também acredita que o Brasil mantenha o fôlego e registre crescimento de exportação consecutivos em 2021 e 2022, mantendo a liderança como maior exportador de carne bovina no mundo.

A estimativa do órgão americano é que sejam 2,6 milhões de toneladas equivalente de carcaça em 2021, 1,4% a mais ante 2020; e 2,7 milhões de toneladas equivalente de carcaça em 2022, 3,1% a mais sobre 2021.

“Se os números do governo americano estiverem certos, o quadro internacional que marca 2021 deve ser bastante dinâmico. E eu tenho que concordar com eles, que 2022 seria um ano no mercado internacional também bastante dinâmico”, diz Barros.

Sob espera da China

Apesar do estado de espera sobre a China, o consultor avalia que é só questão de tempo para o retorno das compras da carne bovina brasileira – inclusive com a tendência de barateamento dos preços no mercado internacional, por conta da queda da arroba do boi gordo.

A arroba saiu de US$ 65 este ano para cerca de US$ 50. Continuam ainda muito valorizados os bovinos no Paraguai, Uruguai, Estados Unidos e a Austrália, com o maior preço de todos, em cerca de US$ 115, segundo dados compilados por Barros. Já o Brasil é o único que consegue ofertar com quantidade e menor preço em todo o mundo.

Segundo dados da Administração Geral de Alfândegas da China (GACC, na sigla em inglês), as importações de carne do Brasil representaram 40% de todo o volume comprado pelo país asiático no ano passado. Este ano, com dados do acumulado de janeiro a agosto, a representatividade da proteína vermelha nacional foi de 38%.

“Os chineses têm planejamento, estratégia e são excelentes negociantes. Não tenho nenhuma dúvida que eles estão aproveitando um momento como esse para tentar deprimir preços e tentar negociar melhor para frente”, diz Barros.

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