Brasil tem melhor superávit comercial para abril em 3 anos, com ajuda de vendas para Ásia

Fonte Folha de São Paulo/Reuters

O Brasil teve superávit comercial de US$ 6,7 bilhões (cerca de R$ 37 bilhões) em abril, melhor para o mês desde 2017 (+7 bi), com as exportações ficando praticamente estáveis apesar do quadro de pandemia do coronavírus, ajudadas pelo aumento do apetite asiático.

Divulgado nesta segunda-feira (4) pelo Ministério da Economia, o dado também veio acima da projeção de um superávit de US$ 6,15 bilhões, segundo pesquisa Reuters com analistas.

As exportações somaram US$ 18,3 bilhões no mês, recuo de 0,3% sobre abril de 2019, pela média diária.

Segundo o Ministério da Economia, isso ocorreu por conta da contração de 5,5% nos preços dos bens vendidos, já que o volume exportado subiu 2,9%.

Houve recorde mensal na exportação de soja (US$ 5,5 bilhões), carne bovina (US$ 509 milhões), ouro (US$ 278 milhões), minério de cobre (US$ 231 milhões), alumina (US$ 228 milhões), carne suína (US$ 154 milhões) e algodão bruto (US$ 141 milhões).

“O bom desempenho desses produtos evidencia a competitividade das exportações, favorecida por uma taxa de câmbio real mais desvalorizada. Além disso, a demanda mundial por esses bens mostra significativa resiliência, sobretudo a demanda asiática”, avaliou a pasta.

As exportações brasileiras para a Ásia cresceram 28,7% ante igual mês do ano passado. Para China, Hong Kong e Macau a alta foi de 27,9%, enquanto para a Coreia do Sul o crescimento foi de 182,0%.

Por outro lado, as exportações caíram 31,7% para os Estados Unidos e 46% para a Argentina —dois parceiros comerciais importantes para o país.

Enquanto isso, as importações recuaram 10,5% em abril sobre um ano antes, também pela média diária, a US$ 11,6 bilhões. Houve retração nas compras de combustíveis (-28,3%), bens de consumo (-22,4%), bens de capital (-21,9%) e bens intermediários (-2,3%), pontuou o ministério.

Recentemente, o ministro da Economia, Paulo Guedes, avaliou que estimativas iniciais apontavam que a economia brasileira iria encolher 6% como consequência da crise da pandemia no novo coronavírus, mas que, como o país não está sofrendo um choque externo, graças ao aumento das exportações para a China, a expectativa agora é de uma retração de cerca de 4% neste ano.

SALDO ANUAL

Nos quatro primeiros meses do ano, o Brasil teve superávit de US$ 12,3 bilhões nas trocas comerciais, diminuição de 16,4% pela média diária sobre igual período de 2019.

Para o ano, o Ministério da Economia previu que o superávit da balança comercial será de US$ 46,6 bilhões, queda de 3% sobre o patamar de US$ 48 bilhões do ano passado.

O cálculo incorpora um recuo de 11,4% nas exportações, a US$ 199,8 bilhões, e de 13,6% nas importações, a US$ 153,2 bilhões.

A corrente de comércio, com isso, deve ter uma retração de 12,3%, a US$ 353 bilhões.

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