Ataques da cigarrinhas-das-pastagens causam prejuízos aos pecuaristas do Oeste da Bahia

Pecuaristas dos mais diversos municípios do Oeste da Bahia têm registrados ataques de cigarrinhas-das-pastagens em suas propriedades, o que vem ocasionando perdas de massa verde, bem como o aumento no custo de produção.

Esse problema reduz a capacidade produtiva da pastagem, compromete a alimentação bovina, gerando queda no peso do animal, trazendo prejuízos para os pecuaristas, mas pode ser controlado com métodos químicos ou biológicos.

As cigarrinhas-das-pastagens vivem, na fase adulta, na parte aérea dos capins. Suas ninfas, uma fase jovem do inseto, ficam sempre protegidas na base das plantas por uma espuma branca. Durante o período seco os ovos do inseto permanecem no solo e com o início das chuvas, eclodem. Ataques mais severos podem resultar na morte do capim e na infestação da área por plantas daninhas, o que torna a pastagem degradada.

O ciclo total das cigarrinhas dura por volta de 50 dias, o que resulta em uma média de três gerações sucessivas na época das chuvas. Uma espécie maior e mais agressiva, a Mahanarva tristis, conhecida em algumas localidades como cigarrinha-da-cana, costuma ocorrer no final da época chuvosa, período que se aproxima em todo o Oeste da Bahia.

De acordo com Walter Cássio, representante da Nufarm no Oeste da Bahia, os ataques das cigarrinhas-das-pastagenns foram gerais e causaram grandes perdas para a região. “Muitas propriedades vão enfrentar problemas na segurança alimentar de seus rebanhos em função do enfraquecimento das pastagens”, disse Cássio, reforçando que as variedades de capins mais atacadas são o Andropogon e as diversas varietais da Brachiaria, podendo ocorrer ataques também em outras espécies de capins.

A identificação dos focos iniciais do inseto é fundamental para evitar a sua proliferação e garantir forragem de qualidade para o gado, mas o produtor rural deve atuar de forma preventiva. O monitoramento contínuo das áreas ajuda a reduzir a incidência de ataques e auxilia, ainda, na escolha do método de controle mais adequado.

De acordo com estudos da Embrapa, atualmente, há duas formas de controle dessa praga. O controle biológico, por meio de aplicações utilizando o fungo Metarhizium anisopliae, disponível em lojas revendedoras de insumos agropecuários, pode ser realizado com uso de pulverizadores costais, tratores ou aviões, sem a necessidade de retirar os animais da pastagem. Uma das principais vantagens desse método é que o fungo não prejudica o meio ambiente e nem é nocivo à saúde humana. Além disso, o fungo pode permanecer na pastagem por um tempo maior, desde que não haja dias ensolarados e secos até o seu estabelecimento.

Outra alternativa é o controle químico, mas a adoção desse método exige a retirada do gado da área a ser tratada. É importante contar com a ajuda de um técnico para calcular a quantidade de aplicações e a dosagem adequada do inseticida. Dependendo do nível de infestação e das condições climáticas poderão ser necessárias duas ou três aplicações do produto durante o período chuvoso. O produtor rural deve ficar atento à ocorrência de focos mesmo depois da primeira aplicação.

A diversificação das pastagens com o uso de diferentes tipos de capim e o consórcio com leguminosas e puerária são alternativas eficientes para reduzir os danos causados pela cigarrinha-das-pastagens. Essas plantas, além de não serem atacadas pela praga, servem de alimento para o gado e evitam infestação de ervas daninhas.

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