Apesar de seca histórica, pecuária do Oeste da Bahia se fortalece

O último período chuvoso envolvendo os anos de 2015 e 2016 fui um dos piores já registrados no Oeste da Bahia e apesar dos problemas enfrentados com a forte estiagem, a pecuária da região, em função da tecnologia aplicada e o profissionalismo dos criadores, se fortaleceu, mostrando a grande aptidão da região para a criação de animais, tanto no Vale como no Cerrado.

A base da produção na região é proveniente das raças zebuínas, que com a utilização de técnicas como a Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF), aliada ao cruzamento industrial com raças europeia, específicas para corte, vem melhorando a qualidade do plantel, principalmente na precocidade do abate.

Muitos fazendeiros vêm fazendo a engorda final dos animais em confinamentos dentro da própria fazenda e essa técnica se torna mais rentável, com um custo mais acessível, quando feita através da integração lavoura-pecuária, aproveitando subprodutos da agricultura, como palhadas e tortas de algodão. Há também iniciativas na preparação de fenos de palhada de milho e de brachiária para o gado.

De acordo com Stefan Zembrod, presidente da Associação dos Criadores de Gado do Oeste da Bahia (Acrioeste), o planejamento forrageiro, o manejo e a estação de monta foram fatores fundamentais para evitar a perda de animais em decorrência da estiagem que reduziu a oferta de pastagens. “Várias fazendas têm investido em tecnologias e os proprietários estão abertos ao conhecimento com o intuito de enfrentar eventuais fenômenos climáticos adversos e isso ajudou a superar com maior facilidade o período atípico que a região Oeste da Bahia enfrentou na safra 2015/16”.

Mesmo com a precipitação bem abaixo da média, com volumes variando entre 30 e 50% a menos, dependendo da região, a pecuária oestina só não apresentou melhores números porque os donos de confinamentos tiveram suas margens achatadas. “A alta dos preços da matéria prima da ração e a redução do consumo da carne vermelha devido à crise econômica enfrentada pelo País, evitaram uma maior rentabilidade dos criadores”, ressaltou Zembrod.

Dados fornecidos por Pedro Ivan, gerente técnico do escritório de Barreiras da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), seguem na mesma linha da Acrioeste, registrando, em função da estiagem, uma redução inferior a 5% nos mais de dois milhões de cabeças do rebanho voltado à produção de carne. Nas gerências de Barra, Barreiras, Formosa do Rio Preto, Ibotirama e Luís Eduardo Magalhães, municípios onde são criados aproximadamente metade do rebanho do Oeste da Bahia, o número caiu de 1.067.152 animais para 1.020.873.

Já o setor leiteiro acabou sendo mais afetado, muito em decorrência da fragilidade na cadeia produtiva do leite do que do clima propriamente dito, afirmou Rodrigo Tanajura, médico veterinário da Adab. “Os criadores de gado leiteiro estão mais preparados para enfrentar esses tipos de adversidades como o que ocorreu entre 2015/16, mas a falta de um grande laticínio na região inibe o fortalecimento da pecuária na bacia leiteira do Vale do Rio Grande”, concluiu Rodrigo.

Ascom Acrioeste

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