Identificação individual de bovinos e bubalinos ganha impulso na Bahia

Acrioeste, Seagri, ADAB e FAEB discutem implantação de plano nacional com meta até 2032

Reunião na Seagri, no Centro Administrativo da Bahia (CAB), em Salvador

A Associação Baiana de Pecuária (Acrioeste), em conjunto com a Secretaria da Agricultura da Bahia (Seagri), a Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab) e a Federação de Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (FAEB), sugeriu a formação de uma comissão técnica para apoiar o projeto piloto voltado à identificação individual de bovinos e bubalinos no estado. A iniciativa está alinhada ao Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Bubalinos (PNIB), do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que visa rastrear o rebanho brasileiro até 2032, tornando o processo obrigatório.

Dados adicionais do Insper Agro Global ressaltam que a rastreabilidade individual será obrigatória a partir da primeira movimentação do animal e implantada gradualmente entre 2027 e 2032, com etapas já previstas para 2025/26 (estruturação da base de dados) e 2029/32 (identificação completa).

Objetivo da agenda

O encontro de 7 de julho, realizado na sede da Seagri, no Centro Administrativo da Bahia, propôs a estruturação de uma equipe multidisciplinar para acompanhar o projeto piloto desenvolvido por Seagri e Adab. O foco é incorporar mais tecnologia, segurança jurídica e sustentabilidade à pecuária baiana.

Compromisso com o PNIB

O presidente da Acrioeste, Gill Arêas Machado, reforçou que o projeto segue as diretrizes do PNIB, que será implementado oficialmente até 2032 com identificação obrigatória de todos os animais. No entanto, a introdução será gradual, considerando a complexidade técnica e operacional. “Nossa grande preocupação será encontrar uma solução que ajude os pequenos criadores para que possam se capacitar sem que sejam penalizados com os custos diretos e indiretos dessa mudança. Precisamos encontrar meios que ajudem os pequenos criadores possam estar presentes no Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Bubalinos sem que os custos onerem ainda mais seus negócios”.

Encontro realizado na sede da Federação de Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (FAEB)

Sobre o Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Bubalinos, o presidente da FAEB, Humberto Miranda Oliveira, reafirmou a importância do que vem sendo discutido em todo o País. “A Bahia, como grande produtora de bovinos, não pode ficar de fora desse projeto. Temos grandes pecuaristas, mas em sua maioria absoluta o Estado é constituido por pequenos criadores e é um desafio financeiro muito grande para esses criadores terem acesso ao plano nacional”, disse Humberto Miranda, reforçando a necessidade de um aprofundamento em todos os setores dessa cadeia produtiva e a Federação se põe à disposição para resolver quaisquer demandas para que esse plano chegue de forma acertiva na Bahia para ajudar todos os criadores. “Isso vai nos colocar na vanguarda da gestão, da rastreabilidade, do trânsito de animais, entre outros”.

Importância sanitária e mercadológica

Para Paulo Luz, da Adab, “a Bahia será pioneira na região Nordeste, pois com a criação desta equipe multidisciplinar vamos avançar bastante na rastreabilidade bovina”.

A comissão técnica visa aperfeiçoar a rastreabilidade, respondendo com maior agilidade a eventuais surtos sanitários e agregando valor ao acesso a mercados internos e internacionais exigentes, como União Europeia e China.

Posicionamento oficial

O secretário Pablo Barrozo afirmou que a Bahia “já é reconhecida como Zona Livre de Febre Aftosa sem Vacinação” e busca tornar‑se referência em identificação animal, elevando os patamares sanitários e produtivos do estado.

Participantes institucionais

Representantes presentes:
Seagri: Secretário Pablo Barrozo, Adriano Bouzas (superintendente de Desenvolvimento Agropecuário);
Adab: Carlos Augusto (diretor de Defesa Sanitária Animal) e Paulo Luz;
Acrioeste: Gill Arêas Machado (presidente) e Stefan Zembrod (vice‑presidente);

Visão ampliada sobre o PNIB

Cronograma nacional

2025/26: criação e integração da base de dados nacional;
2027/29: início da identificação individual (ID) dos animais;
2029/32: identificação obrigatória a partir da primeira movimentação.

Benefícios e desafios

Vantagens: melhor controle sanitário, acesso a mercados e resposta rápida a surtos.
Desafios: custos, capacitação técnica, infraestrutura e adesão especialmente de pequenos produtores.

Experiências regionais

Estados como Santa Catarina (com rastreabilidade individual desde 2008) e Pará (que prevê abrangência total até 2026) servem como modelos para outras regiões.

Foto divulgação

O encontro entre Acrioeste, Seagri, Adab e Faeb representa um avanço importante, alinhando iniciativas estaduais ao PNIB e reforçando a pauta da rastreabilidade individual como um instrumento de inovação, segurança sanitária e competitividade para o setor pecuário baiano. O próximo passo será a instalação da comissão técnica multifuncional, que deverá estruturar o piloto e preparar a Bahia para cumprir as fases do plano nacional até 2032.

Para os pequenos criadores, a implementação do plano pode gerar custos diretos e indiretos. Abaixo estão os principais:

Custos Diretos

Compra de brincos eletrônicos ou convencionais
Valor por unidade: R$ 6 a R$ 15 (varia conforme tecnologia – visual, RFID, QR Code, etc.)
Cada animal precisa ser identificado com um brinco próprio.
Equipamentos de leitura (em alguns casos)
Leitores RFID (caso a tecnologia utilizada requeira)

Custo: a partir de R$ 1.500, podendo passar de R$ 5.000 para modelos mais completos
Pequenos produtores geralmente não adquirem, usando serviços de terceiros ou associações.
Taxas de registro no sistema do MAPA (SNII – Sistema Nacional de Identificação e Certificação de Bovinos e Bubalinos)
Ainda não foi definido um valor padrão para todos os casos, mas pode haver custos administrativos ou exigência de adesão a certificadoras credenciadas.
Mão de obra para aplicação dos brincos e cadastramento dos dados
Pode ser feita pelo próprio criador ou por técnicos habilitados.
Em caso de contratação de terceiros: R$ 2 a R$ 5 por animal.

Custos Indiretos

Adequação à burocracia e registros exigidos
Tempo e esforço para manter atualizações de dados (nascimento, morte, movimentações).
Custo de conexão com a internet e sistemas, especialmente em áreas rurais com infraestrutura deficiente.
Treinamento ou contratação de assistência técnica
Pequenos produtores podem necessitar de apoio de sindicatos, associações ou cooperativas.
Algumas regiões já oferecem capacitação gratuita; em outras, pode haver custo.
Possíveis penalidades em caso de não conformidade
Multas administrativas e restrições à comercialização do rebanho
Apoio e alternativas para reduzir o impacto
Associações e cooperativas: podem intermediar aquisição coletiva dos brincos e equipamentos, reduzindo custo unitário.
Programas estaduais: em alguns estados (como Bahia, Mato Grosso e Minas Gerais), há subsídios ou apoio técnico gratuito.
Parcerias com ADAB, SEAGRI, EMBRAPA e FAEB/SENAR: capacitação e assistência técnica.

  • Compartilhe:

© Copyright - Todos os direitos reservados - Acrioeste 2026