Brasil é reconhecido como país livre de febre aftosa sem vacinação pela OMSA

O Brasil foi oficialmente reconhecido nesta quinta-feira, 29, como país livre de febre aftosa sem vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), durante a 92ª Sessão Geral da entidade, realizada em Paris. A certificação representa um marco histórico para a pecuária nacional e deve abrir portas para mercados mais exigentes, como Japão e Coreia do Sul.

O novo status sanitário é resultado de um esforço conjunto de mais de 50 anos, envolvendo pecuaristas, governos estaduais e federal, além de entidades do setor agropecuário. Para obter o reconhecimento, o país suspendeu a vacinação contra a febre aftosa e proibiu o ingresso de animais vacinados por, no mínimo, 12 meses antes da mudança de status, conforme exigido pela OMSA.

A última ocorrência da doença no território nacional foi registrada em 2006. Desde então, o Brasil implementou zonas livres de febre aftosa e, gradualmente, suspendeu a vacinação em todo o país. Mais de 244 milhões de bovinos e bubalinos, distribuídos em cerca de 3,2 milhões de propriedades, deixaram de ser vacinados contra a doença.

O presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), João Martins, destacou que o reconhecimento é uma conquista histórica para os produtores rurais e para o país. “Mais do que nunca, o Brasil pode vender carne, um produto de altíssima qualidade, para qualquer país do mundo”, afirmou.

A cerimônia oficial de entrega do certificado está prevista para a próxima semana, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Agricultura, Carlos Fávaro. O evento será conduzido pela presidente da OMSA, Emmanuelle Soubeyran.

Com o novo status, o Brasil reforça sua posição como um dos principais produtores e exportadores de carne bovina do mundo, consolidando a confiança internacional na qualidade e sanidade de seus produtos agropecuários.

O novo status sanitário foi comemorado pelo presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (FAEB), Humberto Miranda, que também já presidiu o bloco IV do PNEFA (Plano Estratégico do Programa Nacional de Vigilância para a Febre Aftosa). Miranda falou do empenho dos estados, especialmente a Bahia, para cumprir as diretrizes estabelecidas pela OIE.

“Essa foi uma luta conjunta, então todos os atores envolvidos estão de parabéns, em especial os produtores rurais, a Agência de Defesa Sanitária e todos os parceiros que contribuíram para a imunização do rebanho durante todos esses anos e, consequentemente, a conquista do status de zona livre de febre aftosa sem vacinação pela Bahia”, disse.

Segundo ele, a descontinuidade da vacina ocorreu de forma gradativa e segura, sendo a Bahia um dos últimos estados a retirar o imunizante, mesmo não tendo registrado casos da doença há anos.

Túlio Ramalho, médico veterinário e diretor do Negócio de Ruminantes na empresa suíço-holandesa DSM Firmenich, para a América do Sul afirmou que é realmente uma grande conquista para a pecuária brasileira. “Mostra que evoluímos na sanidade, premia o esforço das autoridades governamentais, dos veterinários e dos pecuaristas ao longo de muitos anos, e abre portas para mercados mais valorizados. Agora, o desafio é manter esse status com responsabilidade, reforçando a biosseguridade, e continuar esse trabalho conjunto entre produtores, indústria e governo”.

Para ele o impacto deverá ser muito positivo. “Analistas já cravam que nossas exportações de carne bovina devem ultrapassar 40% da produção no curto prazo. Dois, três anos atrás representavam 20/25 por cento. Isso certamente trará valorização da arroba, novos mercados para a carne brasileira, e mais competitividade para toda a cadeia. Quem estiver preparado, produzindo de forma adequada, vai colher bons resultados”.

O vice-presidente da Associação Baiana de Pecuária (Acrioeste), Stefan Zembrod, comentou que essa conquista do País vai proporcionar que os criadores acessem mercados antes fechados para a carne brasileira. “O Brasil como um todo sai ganhando com esse novo status. O próximo passo é que os estados implantem a rastreabilidade em 100% do rebanho. A Acrioeste está buscado junto à Federação de Agricultura e Pecuária da Bahia (FAEB) uma maneira de desenvolver e implementar a rastreabilidade no Estado, uma das condicionantes do Ministério de Agricultura e Pecuária (Mapa) exige para que possamos manter o status de zona livre de aftosa sem vacinação e também acessar determinados mercados externos”, disse Zembrod, relatando que a Bahia tem muitos desafios a serem enfrentados, há um longo caminho para avançar, por isso é necessário  buscar uma forma para criar um plano de ação visando introduzir a rastreabilidade no Estado.

Rastreabilidade

O Pará foi o primeiro estado brasileiro a implementar a rastreabilidade bovina obrigatória em escala estadual, com início em 11 de setembro de 2024. São Paulo também implementou um sistema para monitorar 11 milhões de bois. O Tocantins está discutindo a implantação do sistema de rastreabilidade bovina. Outros estados, como o Mato Grosso, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul, também estão entre os maiores produtores de carne bovina no Brasil que estão discutindo a rastreabilidade.

Garantia de qualidade e segurança alimentar, a rastreabilidade bovina é essencial para o controle de doenças, além de facilitar o acesso a mercados internacionais. A implementação do programa no Pará, por exemplo, é considerada um marco para a pecuária nacional e serve de referência para o Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (PNIB).

A rastreabilidade é um caminho sem volta. É o que muitos mercados exigem e o que vai diferenciar quem produz com qualidade e responsabilidade. O Brasil está avançando, mas precisamos ampliar esse movimento com apoio técnico, tecnologia acessível e foco em gerar valor agregado para o produtor. A indústria sem sombra de dúvida será um grande parceiro nesse movimento.

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