Auditores fiscais agropecuários alertam sobre risco de febre aftosa no Brasil

O registro de um caso de febre aftosa na Alemanha, confirmado em 10 de janeiro, mobilizou auditores fiscais federais agropecuários no Brasil. O episódio, que marca a primeira ocorrência da doença no país europeu em quase quatro décadas, acendeu um alerta sobre os riscos potenciais para a produção nacional de carne, um dos pilares da economia brasileira.

O Brasil é o maior exportador mundial de carne e possui status de país livre de febre aftosa sem vacinação. Essa condição, conquistada após mais de cinco décadas de trabalho, está agora sob vigilância rigorosa. De acordo com o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical), o caso alemão é um lembrete da importância de sistemas de defesa agropecuária robustos.

“A ocorrência de febre aftosa no Brasil teria impacto econômico imediato e devastador. Exportações seriam suspensas, indústrias frigoríficas e laticínios poderiam parar, afetando trabalhadores e produtores”, destacou Serguei Brenezz, secretário de Planejamento do Anffa Sindical.

Impactos potenciais e a necessidade de vigilância

A febre aftosa é uma doença viral altamente contagiosa que afeta animais de casco fendido, como bovinos, suínos e ovinos. Embora não represente risco à saúde humana, a doença compromete severamente a economia: rebanhos precisam ser sacrificados, exportações são suspensas, e a confiança do mercado é abalada.

No ano passado, o Brasil exportou mais de 2,8 milhões de toneladas de carne bovina, gerando receita de US$ 13 bilhões, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). Qualquer surto poderia comprometer diretamente essa fonte de renda e a reputação do país no cenário global.

O desafio da prevenção

Desde que alcançou o status de livre de febre aftosa sem vacinação, o Brasil deixou de gastar cerca de R$ 500 milhões anuais com a vacinação de bovinos. No entanto, uma eventual reintrodução do vírus exigiria a retomada da vacinação, sacrifício de animais e o reforço imediato da vigilância sanitária.

“É fundamental fortalecer a infraestrutura de vigilância em portos, aeroportos e fronteiras. Essa atuação precisa ser ininterrupta e baseada em análises de risco e inteligência”, afirmou Brenezz.

Compromisso com a sanidade animal

O Anffa Sindical reforça que os auditores fiscais federais agropecuários estão atentos e atuantes para proteger a produção nacional e evitar que doenças comprometam os rebanhos e a economia. O caso alemão é um alerta de que, mesmo em países com históricos rigorosos de controle sanitário, a vigilância constante é indispensável para evitar surtos e garantir a segurança alimentar global.

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